Livros na Rede

quarta-feira, 18 de março de 2009



Olá alunos.
Saiu no Jornal do Brasil no dia 13 de março de 2009 uma reportagem muito legal, falando sobre leitores e livros.
Uma artigo que a Secretaria da Biblioteca da ESEM está nos convidando a ler. Click Aqui para ler a materia no site do Jornal do Brasil ou se preferir acompanhe abaixo.

Site do Skoob (books ao contrário)

Site de comunidades dedicado ao livro tem mais de 15 mil usuários

Juliana Krapp, Jornal do Brasil

RIO - Numa escala de 1 a 5, Esaú e Jacó, de Machado de Assis, ganha 3,2; Clara dos Anjos, de Lima Barreto, levaria bomba: 2,5; O sol também se levanta, de Ernest Hemingway, fica com 3,4; Homem comum, de Philip Roth, se sai um pouco melhor: 4 – ainda assim, não barra os livros da série Harry Potter, avaliados numa média de 4,5.

Dar notas a livros – e justificá-las – é uma das bossas do Skoob (books ao contrário), uma rede virtual de relacionamento que tem a literatura como mote. Mistura de Orkut com Facebook, é obra de um grupo de amigos da Zona Oeste carioca, que viram o site crescer dos escolares 300 usuários, quando foi ao ar pela primeira vez, em dezembro de 2008, para os números de best-seller atuais: 15 mil.

Funciona da seguinte maneira: ao criar um login na rede, o usuário pode começar a montar, aos poucos, sua “estante”. Põe nela, separados por etiquetas, os livros que já leu, os que está lendo e os que ainda pretende ler; pode fazer para qualquer um deles “resenhas” (as aspas se devem à timidez com que o termo é tratado pelos usuários, que se limitam a comentários curtíssimos, não passando de três linhas), avaliá-los, montar diários de leitura e postar comentários, incitando o debate. Enquanto isso, vai montando sua rede de amigos e trocando recados – num exercício parecido ao das redes de relacionamento tradicionais, embora com a diferença de que a maioria das mensagens faz comentários sobre livros.

Foi assim que a Odisséia, de Homero – que até o fechamento desta edição 363 usuários já leram, cinco estão lendo e 47 vão ler – conseguiu dois novos resenhistas (que recomendam a leitura casada com a Ilíada) e 105 avaliações. Ou que O Aleph, de Jorge Luis Borges, pôde espairecer um pouco fora do posto de obra sublime da literatura latino-americana: de seu time de seis resenhistas, três torcem o nariz (“confuso” e “incompreensível” são alguns dos adjetivos usados pelos detratores).

Homero e Borges, por lá, não têm como competir com Meg Cabot, Stephenie Meyer ou a imbatível J. K. Rowling. No ranking dos mais lidos (sim, eles têm um ranking, logo na página inicial), só dá Harry Potter (na terça-feira desta semana, o campeão era o volume A pedra filosofal, a primeira das aventuras do bruxinho, com 3.191 leitores e 38 resenhas). Como não poderia deixar de ser, as estantes virtuais do Skoob refletem as estantes reais – e, também, a quantidade de livros por ler é, em geral, muito maior que a de títulos já lidos.

Há gente soltando o verbo: Macunaíma, de Mário de Andrade, passa de anti-herói a vilão, ao receber críticas como: “Acho que foi o pior livro que li em toda a minha vida. Cada página é uma tortura”; ou: “É chato, começa até engraçado, mas é bobo, bobo, cansativo”. Já Vidas secas, apesar de muitos elogios, recebe um bocado de pauladas: “A escrita do livro é superarrastada” e “chatérrima”.

Ainda assim, o site é uma caixinha de surpresas. Onde mais é possível encontrar, juntas, duas pessoas que já leram o sétimo volume de Em busca do tempo perdido, de Proust (enquanto 32 garantem ter concluído ao menos o primeiro)?

– Dizem que brasileiro não gosta de ler. Mas esse site mostra o contrário – conclui o analista de internet Lindenberg Moreira, de 32 anos, pai do Skoob.

Com três amigos, Moreira coordena, nas horas vagas, o espaço virtual, tentando dar conta das inúmeras mensagens que recebe por dia, pedindo melhorias e mudanças. Programador de uma universidade de Realengo, no Rio, ele teve a ideia de criar o Skoob em uma conversa com colegas:

– Todos trabalhamos com internet e gostamos de livros, então sentíamos falta de uma ferramenta que juntasse as duas coisas.

Assim como Moreira, o administrador Cláudio Schamis, de 41 anos, carioca da Tijuca e um dos mais ativos no Skoob, acredita que há mais leitores do que se supõe. Auto-intitulando-se “fanático por literatura”, ele tem no site uma estante de 669 títulos, 166 lidos e 490 por ler, que reproduz, diz, suas prateleiras de casa. Criador da comunidade Viciados em Livros, do Orkut, já escreveu mais de 100 resenhas para o Skoob.

– Esse tipo de site nasce da necessidade de troca de informações e de opiniões – diz. – Sempre me surpreendo com a quantidade de leitores que encontro.

Mas apesar de sua fé nos leitores, Schamis põe em dúvida a voracidade literária de seus colegas:

– Não sei até que ponto as pessoas entram no site por achar bonitinho dizer que gosta de ler. Confio apenas em quem escreve resenha. Se o usuário perdeu tempo redigindo sobre o livro, é porque deve tê-lo lido.

E lêem mesmo. E de tudo. Mas sobretudo best-sellers, os mais citados. Embora traga livros clássicos e mesmo aqueles considerados difíceis, o Skoob não é exatamente uma reunião da Academia Brasileira de Letras. Espaço “pobre”?

– Espaço do mundo real! – diz, entusiasmado, Paulo Roberto Pires, diretor editorial da Ediouro, ao ser apresentado ao site pela reportagem. – E isso não é nenhuma ironia. É uma visão tacanha pensar que a leitura tenha que ser apenas a da alta cultura.

Mas o Skoob também gera controvérsias. As gafes em resenhas e comentários são abundantes. Não é difícil achar uma “Clarisse” Lispector ou uma descrição do “livro” Blowup – que tem como capa, claro, o cartaz do filme de Michelangelo Antonioni (inspirado em um conto de Julio Cortázar). Mas para redimir esses pequenos escorregões, Lindenberg Moreira está aperfeiçoando o site que, daqui a algumas semanas, terá um time de moderadores. Até pouco tempo atrás, o programador não tinha ideia de que teria uma tarefa e tanto pela frente. Criado para, diz ele, ser uma iniciativa apenas entre amigos, o Skoob ganhou vulto quando a notícia de sua existência começou a circular na internet.

– Comentaram da criação do Skoob em alguns blogs e, depois, em comunidades de livros no Orkut – relata a webdesigner Viviane Lordello, que também faz parte da equipe do site. – Aí ele estourou. Não dava mais para ser uma coisa fechada.

O auge do estouro foi no carnaval, quando o Skoob alcançou a casa dos 10 mil usuários (dias antes, tinha apenas 4 mil). Agora, reúne cerca de 320 mil pageviews (número de vezes que a página é vista) por dia, e mais de 18 mil livros cadastrados. Além das cinco estrelas das classificações básicas, é possível a distinção com etiquetas de “favorito”, “abandonei”, “troco” e “desejado”. Quando um usuário visita a página de outro, visualiza na hora o seu “paginômetro” (somatório de páginas lidas) e o nível de “compatibilidade” entre as estantes, medido em percentual. Em breve, além da lista de livros mais lidos, o site também terá visível o ranking de leitores por estado que, por enquanto, só aparece para a equipe. No início desta semana, São Paulo mantinha-se na liderança, com 5.145 usuários, seguido por Rio de Janeiro (2.072), Minas Gerais (1.074) e Rio Grande do Sul (1.026). Mas um passeio pela página mostra que há usuários de mouses do Oiapoque ao Chuí.

Na prática, o Skoob é bem parecido com outros sites internacionais do gênero, como os populares Shelfari () ou o aNobii (). Lindenberg Moreira, porém, garante que não conhecia os concorrentes internacionais quando projetou o Skoob.

– O Brasil é muito carente de redes de amantes de livros – diz Viviane Lordello. – Há os sites estrangeiros, mas as pessoas sentem muita dificuldade em usá-los, seja pela língua ou pelo tipo de ferramenta. Talvez seja essa a maior explicação para nosso sucesso.

Outra explicação – curiosa, aliás – é uma rixa entre fãs. Em suas primeiras semanas de funcionamento, um título mantinha-se implacável na primeira posição entre os mais lidos: Crepúsculo, a história vampiresca da americana Stephenie Meyer.

– Quando o fã-clube do Harry Potter soube disso, fez campanha para que todos entrassem no Skoob contando terem lido os livros da série, para desbancar o oponente. Desde então, Crepúsculo praticamente não voltou mais para o ranking, enquanto os Harry Potter não saem de lá – revela Moreira, que, como bom criador, foi o primeiro a cadastrar livros no site, que teve sua gênese em Marley e eu, O caçador de pipas e O código da Vinci.

– É maravilhoso fazer amigos por meio dos livros, sejam eles Harry Potter, Zibia Gasparetto ou Cortázar – diz a produtora cultural Suzana Vargas, diretora da Estação das Letras, que ministra cursos nas áreas de interesse pelo livro.

Ela também foi apresentada ao site pela reportagem e ficou tão impressionada com a iniciativa quanto Paulo Roberto Pires. Mas se o editor pôs a página em seus favoritos por vê-la como indicador do que querem os consumidores de livros, ela elogia o site pelo seu lado “punk”:

– É sem dúvida um sinal de liberdade, uma mostra de que é a própria leitura que está pedindo seu espaço, independentemente de campanhas de incentivo.

Impressão não muito diferente da que teve a poeta Alice Sant'Anna, uma das revelações da literatura carioca contemporânea, igualmente impressionada com os mecanismos da página:

– A idéia de ter um paginômetro, de você avaliar a pessoa pelo número de páginas lidas, é muito interessante. Esse mecanismo e outros mostram uma paixão pelo mais puro ato de ler. Se as pessoas estão dispostas a vestir a camisa e defender seus livros favoritos, é muito positivo.

Alice resolve entrar na brincadeira: sem se inscrever, atribui cotações aos livros que leu recentemente e lista os que está para ler. Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito, é um “cinco estrelas”, assim como o esgotado O bigode, do francês Emmanuel Carré. Já A pista de gelo, do chileno Roberto Bolaño, é um “quatro estrelas e meia”. Na espera, ela tem Noturno do Chile, de Bolaño, e The wind-up bird chronicle, do japonês Haruki Murakami.

Pois é: a jovem poeta carioca não é lá muito a cara do usuário do Skoob, que se situa mais nos extremos do grande best-seller ou dos clássicos e livros de filosofia. Mas ela não acha que haja um perfil “certo” de leitor. Nem ela, nem Suzana e nem Pires, que concordam também em um ponto-chave: se um site como tal mostra que as pessoas estão lendo, o número de 15 mil usuários inscritos ainda é muito pequeno: ainda se lê pouco no país.

– Ao mesmo tempo, as editoras cada vez crescem mais e cada vez saem mais livros com capas bem elaboradas, o que indica que as pessoas estão cada vez mais interessadas em ler – diz Alice.

Mas há também quem tenha ingressado no site com outros objetivos além da simples curiosidade literária. É o caso de Graziela Merli, publicitária paulistana que mora em Curitiba, e que entrou no Skoob para conseguir doadores para um projeto social de incentivo à leitura (). Acabou se viciando:

– Apesar de estar lá há pouco mais de 10 dias, já fiz amigos, já indiquei livros... Achei o máximo. Estou lendo três novos livros ao mesmo tempo, faz uma semana, por conta de indicações. Meu estilo favorito são os romances históricos, em especial os de Noah Gordon.

Diferentemente de Graziela, o desenvolvedor web Paulo Vitor Reis, de 22 anos, que mora em Teixeira de Freitas, na Bahia, está no Skoob praticamente desde sua criação. Amante de livros de aventura, ficou sabendo do site por intermédio de um conhecido, e, desde então, já acumula 45 amigos e mais de 100 recados na rede.

– Hoje gosto muito de livros, mas na época de escola eu os odiava. Daí conheci os livros do Harry Potter, e acabei viciado. Por causa deles, hoje tenho o maior gosto por livros de fantasia – descreve.

Apesar de ter feito diversos amigos no Skoob – e de nem sempre conversar sobre livros com eles – o rapaz afirma que o objetivo da rede está mais atrelado aos interesses literários do que aos sociais.

– Uma ferramenta como essa pode certamente ser usada por professores para incentivar a leitura – sugere Suzana. – Eles podem solicitar que os alunos divulguem suas estantes e debatam os textos lidos.

Paulo Roberto Pires passeia pelo site e e retoma a oposição best-seller versus alta cultura:

– É como ginástica. Você precisa começar com o básico. E não é isso que, afinal, se quer quando se incentiva a leitura?

16:16 - 13/03/2009

Recado...

terça-feira, 17 de março de 2009



Pois é gente voltando à ativa
recebemos nossos nots ontem e agora podemos voltar a fazer novas poxstagens
valew
abraçoo